{Você também pode ouvir este texto em: Coragem, tempo e constância }
A história começou da seguinte forma: em agosto de 2025 fui ao Brasil visitar minha família e neste tempo meu marido falou sobre umas piscinas aqui onde moramos. Que ele ia começar a frequentar para poder continuar a praticar atividade física mesmo no inverno {porque ele corre na rua e em dias de chuva não é assim tão apetecível correr, não é mesmo?}. Bom, quem me conhece sabe que eu e as atividades físicas temos uma relação, no mínimo, conflituosa. Eu já cheguei a fazer crossfit, meus amigos, me respeitem! Quando era criança/adolescente, adorava ir andar de patins no estacionamento de um mercado lá em Curitiba {mas isso só acontecia de vez em quando, nas folgas do meu pai}. Fora isso, também na adolescência, para fugir das aulas de natação (segura a atenção neste ponto aqui, por favor, vou dar uma repetida só para você focar)... na adolescência, para fugir das aulas de natação, eu comecei a treinar basquete. Não deve ter durado nem 1 mês… Gostava de ser goleira no handebol também. Mas assim: eu fui mesmo campeã de xadrez numa gincana da escola. Aleatória, né? Ok, mas eu tinha um sonho: me imaginava mergulhando, nadando… achava lindo ver nos filmes as pessoas nadarem. Pareciam tão livres! Entretanto, morria de medo de morrer afogada. Nossa! Lembra lá na adolescência, que eu fugia da aula de natação? Então, foi o mais próximo da oportunidade de aprender a nadar que tive, porque no Brasil não era na minha época, pelo menos não na minha realidade, assim tão acessível. Só que eu fui boba, me deixei levar pelos outros, pela vergonha de um corpo que era muito mais bonito que o corpo de hoje inclusive (claro ne, xoven!). Adolescentes…
Bom, agora você já deve ter imaginado o que aconteceu no meu último ano, certo? Sim, senhoras e senhores, quando meu marido falou sobre as piscinas eu imediatamente pedi para ele ver se tinha aula para adultos aprenderem do zero. E tinha! Voltei e na mesma semana me matriculei. Gente, o pavor que eu tinha de colocar a cabeça debaixo d’água! Mas meus professores foram muito legais e pacientes. O professor faz mesmo toda a diferença na vida de alguém. Os meus da natação, agora com meus 40 anos, foram essenciais para eu finalmente encontrar o esporte que adoro: natação. Repito: é a primeira vez em 40 (e quase 1) anos que eu pratico uma atividade física regularmente.
E claro que neste período eu faltei algumas vezes! Umas por não conseguir ir por algum motivo, outras {raras, mas que aconteceram} por preguiça, desânimo e/ou cansaço. E quando eu ficava sem ir, a próxima aula parecia mais difícil de eu querer continuar a ir, mas aí eu lembrava que eu me sentia tão bem lá, debaixo d’água! Quando eu não tinha essa motivação própria, alguém que estava acompanhando essa minha realização me lembrava e me motivava, falando: “quando você volta a nadar?”, “vai, você gosta tanto!”, “sinto falta de te acompanhar!”, “já aprendeu a boiar?”, “já foi para a piscina grande?”, “nas férias a gente pode ir juntas na piscina!”
E cá estou eu, 1 ano depois, começando meu segundo ano de natação. Já aprendi a boiar, a nadar em alguns estilos {meu favorito é bruços, o que eu tive mais dificuldade em aprender!}, já até virei modelo para os alunos novos… ahammmm! Não que eu faça perfeitamente e não falo isso para me vangloriar, mas para lembrar que posso ser referência e inspiração para outras pessoas que, como eu, tenham sonhos que acham que estão velhas demais para realizar. Eu consegui! Ainda falta bastante, mas eu consegui!
No início do verão, num dos momentos mais difíceis da minha vida este ano, eu me inspirei na minha Moniquinha, na minha corajosa filha de quatro patas que me deixou aos 13 anos. Ela sempre foi corajosa. Muitas vezes, ela nem pôde escolher, só teve de ser {tipo entrar numa caixa, num avião, separada de mim e viajar de um continente ao outro}. Mas a vida às vezes é mesmo isso: ir, mesmo com medo. Então, neste verão, pensei nela e na sua coragem e me enfiei no mar. Não irresponsavelmente e nem assim, como parece… com meu marido do lado, agarrada a ele até ter coragem de soltar… mas soltei. Agradeci tanto a ela por ter me inspirado, por ter sido uma luz para mim, em vida e depois. Dei risada e chorei ao mesmo tempo. Me senti livre, como naqueles filmes que eu via. Boiei no mar. Nadei no mar. Pouquinho, no raso… mas a vida é feita disso… Coragem, tempo e constância.

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