{Você também pode ouvir este texto em: Oi, sumida }
“Oi, sumida!”, “Apareceu a Margarida…” Tudo bem, eu aceito que vocês usem essas saudações comigo. Sumi, sim. Acho que desde minha volta com o Simplesmente, foi o maior intervalo de tempo sem postar. E não foi por falta de assunto! Pensei em vários textos, mas não escrevi nada. Eu estava vivendo intensamente a novela que é minha vida… aliás, como de muita gente, claro, mas a minha tem tantas reviravoltas toda semana (às vezes, no mesmo dia ou de um dia para o outro) que até minha psicóloga fica cansada {já a avisei que tão cedo não vai estar dando para me dar alta, sinto muito…}
Na minha última aparição, tinha falado sobre os 6 anos em Portugal, sobre o caso lá do trabalho e recebi algumas mensagens muito queridas e que encheram meu coração de carinho. Obrigada a vocês, minhas queridas! A partir daí, comecei a fazer o exercício de ver uma coisinha boa todos os dias e aos poucos a vida vai ganhando novas fases.
Tive muita dor de barriga e nervoso antes de entrar no trabalho lá do mercado por causa da situação que relatei no último texto, durante dias, mas agora já consigo controlar melhor. Acho que agora peguei mais o ritmo, faço as coisas mais rapidamente (o que finalmente me permite sair apenas uns 10 ou 15 minutos depois do meu horário e sem precisar de ajuda de ninguém). O corpo ainda dói bastante: esta semana comecei com uma inédita dor nas mãos, nos polegares mais precisamente, que repuxam ao tentar cortar carne ou simplesmente se fico segurando o celular. Também apareceu uma dor nos ombros. Nem sabia que era possível. Já pego as caixas de frutas sem sentir os 15 ou 20kg que elas pesam. Outro dia me surpreendi ao jogar os lixos {pesados} à altura da lixeira com se estivesse jogando uma bola… Já considero que estou praticando Crossfit 5x por semana {e além de não pagar, ainda sou paga para isso hahaha}. Como diz o ditado aqui em Portugal: “Primeiro, estranha-se. Depois, entranha-se”. E depois de observar isso tudo, senti medo de me acomodar. De achar que está tudo bem e acabar por ficar neste trabalho, aceitando que talvez seja esse meu destino. Pensar demais cansa e tenho andado exausta nos últimos anos por isso. Um cérebro que conecta coisas o tempo todo e precisa entender tudo, ter explicações, resolver questões, deixar tudo alinhado, se questiona, se culpa a 100% do tempo, cansa. Ser superdotado não é ter QI alto, é isso: estar exausto de pensar e acabar paralisando e se contentando com coisas menos complexas para evitar mais exaustão mental. Acordo e durmo com a cabeça numa velocidade que é difícil explicar… hoje de manhã, depois de dormir durante 10h, acordei cansada. Fiz 3 coisas ao mesmo tempo e senti que já estava atrasada (e estava). Na hora, lembrei do Coelho da Alice. Eu estou sempre alerta, sempre tentando resolver algum quebra-cabeça na minha vida, mas na real estou correndo sem saber para onde ir {e como diz o Gato, também em Alice: “Para quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve”}. E é exatamente isso que não quero para mim: qualquer coisa.
A minha dose de intensidade pela vida, seja pelo meu signo de Escorpião, com ascendente em Escorpião e mais 9 planetas também em Escorpião, somada à Superdotação/Altas Habilidades e TDAH, é de uma sensação que não consigo explicar. E num mundo que está caótico, chorar já tem sido parte dos meus dias, ultimamente - porque eu já passei pela fase de querer chorar, mas não conseguir. Choro de medo, choro de alívio, choro de saudade, choro de cansaço… Não estou na TPM, estou apenas o quê? Cansada.
Mas para não acharem que sou só reclamação, porque não sou, tenho conseguido voltar a ter fé, esperança, gratidão. Eu lembro de sentir isso tudo muito fortemente depois de ter tomado a decisão de ir morar em Roma. Lembro muito (e tenho até foto deste momento) de quando vi um outdoor em Curitiba, quando estava indo almoçar sozinha no intervalo do trabalho, com a citação: “Entrega teu caminho ao Senhor, confia Nele e Ele tudo fará” (Salmos 37, 5). Já tinha visto a mesma mensagem várias vezes em outros lugares naquela época. Dizem também que finalmente os escorpianos vão sair da fase de 7 anos duros. Além disso, acho que também bate com o fim dos trabalhos que uma ex do meu marido fez para mim (e eu descobri e fiz uma limpeza para quebrar há três anos, o que até funcionou um pouco, mas ainda tá puxado). Como podem ver, acredito em tudo e desconfio também de tudo, tudo ao mesmo tempo. A tal da intensidade com o ingrediente curiosidade misturado e encorpado com conexões sem-fim.
Já falei que tenho uma lista de 100 histórias para contar, né? Essas nem estão na lista, imagina…
Fiquei esses dias todos sem escrever e realmente me faz falta! Parece quando a gente está há muito tempo sem encontrar um grande amigo e quando encontra a conversa dura umas 6 horas de falação sem parar, sobre todo e qualquer assunto e que o tempo que a gente ficou sem se ver nem existiu, porque é tudo igual. Nada mudou.
Voltar aqui, escrever este texto, gravar este texto, está tendo essa sensação para mim.
E ainda teve muito mais… mas estou tentando controlar a impulsividade. Notei que preciso fazer isso quando semana passada quase me inscrevi num curso de 1 ano de duração, noturno (ou seja, quase já ia me despedindo) de Manobrador de Equipamentos de Movimentação de Terras. Sim, senhoras e senhores, um curso para operar escavadeiras em pedreiras, obras… Minha mãe acabou de descobrir isso lendo ou ouvindo este texto. Calma, mãe, já desisti. Achei que seria perigoso demais, ainda que na Europa Central paguem em média 7 mil euros mensais por essa função. Ganhar isso por mês realmente mexeu comigo, mas meu anjo da guarda estava de plantão e disse: “Priscila, também estou cansado, sabe… Será que dava para ganhar dinheiro, sei lá, escrevendo? Um livro, um blog… quem sabe planejar dar umas palestras, uns cursos…? Não sei, uma coisa que seja menos perigosa, ainda que demore para render um salário bom? Só uma sugestãozinha assim, para pensar…”
Então, para os próximos textos, venho com os outros acontecimentos bonitos desses dias sumida. Afinal, para ser uma curadora de histórias é preciso vivê-las, não é mesmo?

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