Simplesmente, Conte

 

{Você pode ouvir este texto em: Simplesmente, Conte }

O dia era 14 de fevereiro de 2022, eu estava na Alemanha na casa da minha prima e me lembro como se fosse hoje, agora, da sensação de estar sentada de frente para a janela, em um dia de inverno, quando já anoitece cedo, me olhando no reflexo do vidro que do lado de fora era escuro, mas aqui dentro parecia iluminado, não só pela luminária, mas por um sentimento bom que sabia que precisava sair de mim. E olhando os papéis amarelados hoje, agosto de 2026, tudo faz sentido. Principalmente não ter continuado há 4 anos…

A gente ouve muito que tudo acontece no tempo certo, mas num mundo cada vez mais ansioso e que cobra por resultados, performance e sucesso, eu, por exemplo, há anos me sinto um fracasso. Porque esse sucesso aí significa ter muito dinheiro, ser famoso seja pelo que for, com grandes números e ostentando vidas de luxo baseadas em marcas caras, viagens em que só se tira fotos e nem se sabe nada da história do lugar, bebidas em exagero, enfim, o que der like nas redes sociais e que não necessariamente signifique acrescentar alguma coisa na vida de alguém… Ou na própria vida.

E eu não consigo ser assim. Eu nem gosto de aparecer - ainda que um dos meus trabalhos já tenha sido um canal no Youtube contando histórias de lugares.


Histórias.


Esta palavra se repete em todas as minhas ideias! Tudo que sempre pensei em fazer, agora consigo ver que tinha um único fio condutor: contar histórias. Usar as palavras para criar experiências. Experiências para sentir o que é a vida.

A palavra, principalmente escrita, foi sempre muito importante para mim e eu não tinha me dado conta disso. Ela sempre foi tão importante que é parte natural de mim e eu nem sei quem sou sem ela. Desde muito nova, escrevi: diários, bilhetes, cartinhas… depois passei a textos em newsletters, roteiros, livros… E assim tenho registrado a minha vida. E que bom que fiz isso! 

Hoje, quando encontro meus textos escritos em folhas de papel amareladas ou folhas de cadernos que lembro ainda da capa, sorrio. Alguns nem lembro que tinha escrito. Outros, me levam diretamente àquele momento em que escrevi. Uns trazem alegria, outros medo. Nem todos podem ser partilhados (simplesmente porque é íntimo, é meu e nem tudo precisa ser do mundo). Porque esses que não partilho as linhas, partilho o que aprendi a partir delas. 

Tempo.

Nada é por acaso.

Em 14 de fevereiro de 2022, eu coloquei em palavras escritas em 3 folhas de papel amareladas o Simplesmente, Conte. Escrevi ouvindo no repeat infinito a música “As coisas” da Mallu Magalhães {acabei de colocar ela agora para ouvir enquanto escrevo este texto também}. A letra desta música… “A coragem que a gente nem sabia, mas tem.” Eu destaquei esta frase da música logo abaixo do nome do Simplesmente. Porque muitas pessoas sempre me disseram que admiravam minha coragem e eu nunca me senti corajosa. Pelo contrário! Depois de muita terapia, descobri a frase: “Se der medo, vai com medo mesmo!” e virou meu mantra - e assim eu consegui começar a viver apesar dos meus medos, lá pelos meus 26 anos… Sim, 26.

Palavras. Frases. 

Eu já colecionei frases! Mas agora é diferente…

Se passaram 4 anos para o Simplesmente estar aqui hoje, agosto de 2026, em blog, podcast e instagram. Começando. Recomeçando. O que seja. Eu entendi finalmente que o Simplesmente, Conte é a minha coleção de experiências humanas para entender melhor a vida. Para sentir prazer em viver. 

Mas também faz parte desta experiência linda do prazer em viver, compartilhar. Por isso, o Simplesmente é a construção de um lugar {e este lugar podem ser os vídeos reais, feitos por mim, um livro ou frases, uma foto bonita que registra o que eu vi, uma música, uma entrevista, uma história}. Formas que mudam, mas o lugar que permanece. Um lugar onde as pessoas parem por alguns minutos. Respirem. Pensem. Lembrem. Sintam. Conversem. Um pouco de humanidade neste mundo que está esquecendo o que é ser humano e o que realmente importa: as histórias que contamos.

“Não queira ser perfeita. Queira ser você!” Esta frase também está escrita logo abaixo do Simplesmente, Conte, naquele papel de 2022. Hoje, agosto de 2026, tive coragem de entendê-la e seguir meu próprio conselho {porque no fundo, eu acho que eu escrevi esta frase justamente porque sabia…}

Tudo acontece no tempo certo.





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